sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

130- PERIGOS E RISCOS QUE ENVOLVEM COLEÇÕES E MINHAS METAS PESSOAIS PARA 2013.

2012,foi um ano onde pude observar melhor o mundo do colecionismo de dolls.Um ano,onde também algumas coisas ficaram mais evidentes para mim e determinaram uma nova forma de ver e principalmente de me posicionar em relação à algo que é tão "infinito" quanto todo o cabedal de informações da evolução da humanidade.
Sim,as bonecas estão à serviço da representação da vida humana,há mais de 2000 anos antes de Cristo.
O primeiro plano da relação contemporânea entre o adulto e as dolls,estaria,claro,no inevitável fascínio que este delicado e minucioso universo,imprime à olhos sensíveis,com sua micro representação do nosso próprio universo.Há ainda,toda uma inegável cultura e manifestação artística/criativa,que perpassa todo esse mesmo universo,oferecendo muitas possibilidades de sedução lúdica e interesse artístico.



Mas,na página dois,lá está o velho e bom ser humano,transferindo para bonecos,o que à princípio,nem mesmo deveria fazer parte do universo humano.Tenho observado pessoas se "ocultando" atrás de bonecos,os utilizando como evidente símbolo de ostentação e "poder",como representação de um falso status,ou,até mesmo,de um status genuíno,mas cruel,esvaziado de conteúdo e carregado de arrogância.
Observei também,a perigosa postura do acúmulo,do excesso e da obsessão(traços psicologicamente associados ao colecionismo).
Pessoas vivendo uma história de vida,voltada 24Hs para bonecas,
para "doll notícias" e compartilhamentos diários,via internet...
Me pareceu preocupante.Alienante!



Levou-me a uma observação mais acurada de mim mesmo,dentro deste universo.E o quanto me deixei(ou não)enredar nas teias sedutoras,
mas perigosas deste Universo,desde minha "inserção" no mesmo em 2009.
Mesmo auto-detectando mais salubridade que desequilíbrio,estou me propondo à um afastamento voluntário à partir de 2013.
Quero,principalmente,me distanciar da sedução do acúmulo,e tentar
me orientar de modo menos ligado aos elementos intermináveis do colecionismo,e mais focado,no que desejo comunicar com minha fotografia,
e que passa necessariamente pelo que sou como pessoa e como artista.



Olhei,então,detidamente minha coleção,identificando os "personagens" que a compõem,compreendendo que "voz" quero dar à eles,quando os visto,os produzo e os fotografo.Apesar de saber admirar uma roupa de luxo,creio que prefiro minhas dolls de jeans,como personagens urbanos reais,"diluídos" nas multidões das grandes cidades.
Minhas dolls estariam mais para as ruas,que para as passarelas.
Quero vê-las mais como gente comum,capaz de dar seu recado enquanto "vive",e menos como DIVAS absolutas,ricas poderosas e intocáveis.
Não,não é a fantasia,e principalmente a fantasia do luxo que me atrai na "brincadeira" com as dolls,mas exatamente o comum,o possível,o real.
Isso é o que mais preciso ter em mente,mesmo frente aos apelos do "luxo de plástico",tão caros quanto luxo pra gente.
Manter minha identidade,meus valores e dar meu recado com coerência e conformidade com aquilo que sou e mais que tudo,com aquilo que é minha realidade,financeira inclusive.Espero com esse "afastamento" me posicionar artisticamente falando,de forma como sinto ainda não ter atingido em meu trabalho com as dolls.
Mas,que muito quero atingir,pelo que vejo ser possível realizar à partir delas.